Morre o médium Luiz Antônio Gasparetto (1949-2018)

Vindo de uma família formada por diversos membros que alegadamente possuem dons mediúnicos, Antônio Gasparetto se notabilizou na mídia nacional e apenas de forma rasteira na mídia internacional, como um médium pictógrafo – que seria capaz de realizar obras de arte supostamente influenciado pelo espírito de pintores mortos – e depois no ramo de auto-ajuda espiritualista.

Filho da escritora mediúnica Zíbia Gasparetto, que construiu um império editorial milionário com base nas suas obras literárias, Antônio Gasparetto, ou simplesmente Gasparetto, começou sua carreira no mundo paranormal utilizando da arte. Em estado de transe, seria capaz de reproduzir obras artísticas assinadas por supostos pintores famosos, como Leonardo da Vinci, Rembrandt, Monet, Renoir, entre outros. Sua fama o destacou no Brasil, impulsionado pelo espiritismo, e encontrou alguma visibilidade internacional através da jornalista e artista plástica Elsie Dubugras, que promoveu turnês em diversos países na Europa mostrando as aptidões psíquicas do jovem Gasparetto, durante boa parte da década de 70.

Suas demonstrações artísticas variavam desde a pintura de telas a óleo até esculturas, e foram massivamente exibidas em programas de televisão no canal aberto. Dizia-se que, em estado de transe, chegava a falar outros idiomas, durante suas exibições. Ao longo do tempo, Gasparetto foi se notabilizando e chegou a estrelar um programa de televisão com temática espírita, chamado de Terceira Visão, produzido e veiculado pela Rede Bandeirantes.

Com o tempo, sua habilidade psíquica para o desenho foi reduzindo e sendo substituída por ensinos de cunho espiritualista-moral veiculados por um suposto ente chamado de Calunga, a quem Gasparetto tratava como um guia. Gasparetto começou a trabalhar arduamente em exibições públicas, palestras, workshops e terapias. Criou uma indústria milionária voltada para a auto-ajuda.

Devido ao seu enriquecimento e promoção pessoal, Gasparetto recebeu inúmeras críticas dos espíritas brasileiros, o que levou finalmente ao seu rompimento oficial com os seguidores da doutrina kardecista.

Infelizmente, durante os seus anos produtivos como pictógrafo, Gasparetto não foi submetido a nenhuma pesquisa científica que pudesse avaliar seus dons. Suas obras já foram julgadas como autênticas e como fraudes grosseiras por diversos críticos de arte. A avaliação da qualidade das obras envolve muitos critérios considerados subjetivos, que dificultam enormemente uma avaliação que possa ser considerada válida em relação à autenticidade do suposto fenômeno. Muitos agentes PSI que demonstraram estas aptidões e produziram pinturas mediúnicc[as limitaram-se à exibições artísticas pontuais, bem como revenda de obras para crentes e curiosos. Não obstante, Gasparetto notabilizou-se como o mais conhecido e famosos dos médiuns pictógrafos no Brasil.

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